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Dia das Mães
Há um momento curioso da maternidade que quase ninguém nomeia. Ele acontece, às vezes, no silêncio mais simples: ao ver um filho dormir, ao ouvir uma risada que lembra a própria infância, ao repetir uma frase que um dia foi dita pela própria mãe, ao perceber que certas formas de amar atravessam gerações sem pedir licença. É como se, de repente, cuidar de uma criança não falasse apenas sobre o futuro. Falasse também sobre origem. No Dia das Mães, falamos muito sobre o que uma

André Botinha
10 de mai.3 min de leitura


As chaves do mundo
Nesta semana, fui assistir à peça de Gregório Duvivier “O céu da língua”. O texto da peça brinca justamente com isso: nós nascemos rodeados por coisas cujos nomes não escolhemos; aprendemos os nomes do mundo tão cedo que esquecemos o esforço enorme que foi aprendê-los. E educar, em certo momento, aparece na peça desta forma: “dar a chave do mundo”. Dar nome é uma das primeiras formas humanas de conhecer. A palavra “nome” vem do latim nomen. Em muitas tradições antigas, sabe

André Botinha
27 de abr.4 min de leitura


Quando bate aquela saudade
"Por muito tempo achei que a ausência é falta. E lastimava, ignorante, a falta. Hoje não a lastimo. Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim. E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, que rio e danço e invento exclamações alegres, porque a ausência, essa ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim." Carlos Drummond de Andrade Durante toda a minha infância, a gente passava os feriados e as férias na cidade do meu pai, no interior de Minas.

André Botinha
12 de abr.4 min de leitura
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