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Febre Maculosa: entenda a doença e previna-se

  • botinhadrive
  • 25 de set. de 2021
  • 3 min de leitura

Nos últimos 10 anos, quatro casos de Febre Maculosa foram confirmados em Belo Horizonte.

No Parque Ecológico da Pampulha foram detectadas capivaras infectadas pela bactéria causadora da doença em 2014 e a região recebeu atenção especial por parte dos órgãos públicos.

No mesmo ano, a Prefeitura de Belo Horizonte promoveu a retirada de capivaras da Orla da Lagoa como medida de controle a proliferação de carrapatos. Porém, em cativeiro, mais de 70% das capivaras capturadas faleceram.

Dessa maneira, O Ministério Pública Federal sentenciou que “a captura e a manutenção desses animais em cativeiro, sem um plano de manejo adequado, (...) antes de representar uma solução para um problema ambiental antigo, revela-se desencadeador de outro mais grave e imediato”.

Assim, foi revogada a liminar que impedia que os animais mantidos em cativeiro fossem soltos.

#1. O que é a Febre Maculosa?

A Febre Maculosa é uma doença potencialmente letal causada por uma bactéria transmitida pelo carrapato.

Foi descrita pela primeira vez no início do século 19 por Howard Ricketts. A infecção no ser humano tem um espectro que varia desde uma doença leve até mesmo fulminante.

#2. Como a bactéria age?

A Rickettsia rickettsii é uma bactéria capaz de invadir as células humanas com uma preferência pelas células que compõe os vasos sanguíneos.

Uma vez instalada, a bactéria pode levar a lesão direta e a inflamação dos vasos atingidos em diferentes órgãos.

Essa inflamação pode provocar extravasamento do plasma sanguíneo e ativação de sistemas de coagulação do sangue.

A coagulação, por sua vez, pode levar a oclusão dos vasos sanguíneos e contribuir para a falência de múltiplos órgãos.

Em um segundo momento, o consumo dos fatores de coagulação pode causar sangramento difuso. As manifestações hemorrágicas podem ser a primeira manifestação da doença notada.

#3. Como acontece a transmissão da doença?

A R. Rickettsii pode ser encontrada nas glândulas salivares e ovários dos carrapatos contaminados. O Amblyomma cajennense, mais conhecido como carrapato-estrela, é o principal agente transmissor encontrado no Brasil.

Seu hospedeiro preferencial é o cavalo. Entretanto, pode parasitar outros mamíferos, como o boi, carneiro, cabra, cão, porco, veado, capivara, cachorro do mato, coelho, cotia, quati, tatu e tamanduá.

Os carrapatos permanecem infectados por toda sua vida, em geral, de um ano e meio a 3 anos.

A transmissão pode ocorrer ao longo de todo o ano. Mas, o período de maior incidência vai de junho a setembro.

A Febre Maculosa é adquirida pela picada do carrapato infectado com a bactéria R. rickettsii. A transmissão ocorre quando o carrapato permanece aderido por um período geralmente maior que 4 a 6 horas.

Entretanto, a infecção pode se dar em períodos menores ou através do contato com fluidos do carrapato durante o processo de removê-lo da pele.

#4. Quais são os sintomas da doença?

Os sintomas se iniciam após 2 a 14 dias da picada do carrapato contaminado (média de 5 a 7 dias depois).

Os sintomas mais comuns são inespecíficos. Isso equivale a dizer que são sintomas comuns a várias outras doenças. Além disso, os sintomas tendem a se manifestar de maneira gradual, fatos que podem contribuir para o atraso no diagnóstico.

Nos casos sintomáticos, a febre está quase sempre presente, sendo muito frequentes também a dor de cabeça, dor no corpo, náuseas e mal-estar.

Entre o terceiro e o quinto dias de doença, surge, em 80% a 90% dos casos, manchas vermelhas na pele, que não coçam, inicialmente nos pulsos e tornozelos antes de generalizar para o restante do corpo.

As manchas se transformam em pequenos pontos de sangramento, característicamente, nas palmas das mãos e plantas dos pés.

Nas formas mais graves da doença, o paciente pode ter inchaço, aumento do fígado e do baço, insuficiência renal, icterícia (coloração amarela de pele e mucosas) e manifestações hemorrágicas com sangramentos digestivo, pulmonar e da pele.

As manifestações neurológicas incluem encefalite (inflamação do tecido cerebral) e déficit neurológico (como paralisias e convulsões).

#5. Como posso prevenir a picada do carrapato-estrela?

Fontes:

1. Prefeitura de Belo Horizonte - Febre Maculosa

2. Prefeitura de Belo Horizonte - Boletim da Vigilância em Saúde - Maio/2014

3. Prefeitura de Belo Horizonte - NOTA TÉCNICA Nº1 /2014

4. Clinical manifestations and diagnosis of Rocky Mountain spotted fever. Daniel J Sexton, Micah T McClain. UpToDate, 2016.

5. Secretaria de Saúde do Estado de Minas Gerais - Exame realizado pela FUNED confirma Febre Maculosa e Cuidados com carrapatos


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André Botinha de Sousa

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RQE 33.543

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